testamento-manifesto 

#MORTE #FICÇÃO #VIDA #FETICHE #PERTURBAÇÃO #INSTINTO #LIMITE #ACASO #PAIXÃO #TRÂNSITO #MODA #DIGITAL #IDENTIDADE #CONECTIVIDADE #CONTÁGIO #EXTENSÃO #AÇÃO #ERUPÇÃO #MOVIMENTO #LÍBIDO #GAMEPLAY #MELANCOLIA

 

São algumas importantes tags que eu por enquanto reconheço como mobilizadoras de questões e problemas na minha vida, trabalho, política e destino como ‘’TRANSARTISTA’’. 

 

Essas tags são fontes propulsoras para que eu esteja sempre em estado de prontidão para explorar zonas de tensão, paixão e dúvida. Eu sinto prazer em habitar a dúvida a todo momento, eu duvido rigorosamente do que eu sou, duvido dos meus desejos, duvido das minhas crenças. Me pergunto o que eu crio enquanto ‘’sujeito eu’’ pode significar em diferentes situações, contextos e ambientes. Que cultura eu crio? Que cultura eu movo? Quem eu sou quando estou com você? Quem eu sou quando estou sem ninguém? Quem eu sou quando percebo outras espécies? E o que eu posso ser quando as coisas me percebem? Quem eu sou em estado animado? Quem eu sou em estado inanimado? 

 

São perguntas as quais eu não busco por respostas, mas penso que elas colocam os sentidos e os sentimentos do meu corpo em constante combustão. 

 

Eu não crio nada autoral, me sinto como um canal por onde forças/energias inomináveis podem se manifestar sem direção… o que agora eu entendo como ‘’meu corpo’’ é uma eterna residência artística, permeada por certezas temporárias e afirmações políticas transmutantes. Meu coração é open source, meus ossos são feitos de poeira de estrelas, minha carne e meu sangue são compostos por amor, medo e ancestralidades atemporais. Não sou apenas uma pessoa, sou várias. 

 

Eu cultivo tudo isso na esperança de que se abram espaços para o silêncio que não emudece, mas o silêncio que aguça a percepção, a intuição, e permite todas as dúvidas fluírem… 

 

Meus trabalhos insurgem dessa maneira autônoma, intuitiva, labiríntica, não linear, não objetiva. As coisas se materializam ‘’como se fossem sonhos acordados, ou pesadelos  como na maioria das vezes). Com tudo isso, eu me responsabilizo em criar ficções sobre realidades cruas, cruéis e fatais. 

 

Meu fazer artístico torna-se possível quando estou em conexão à outras pessoas, outros artistas que me modificam, me ensinam, e também aprendem. O que eu agora chamo de ‘’meu fazer artístico’’ acontece autodidaticamente enquanto dança, arte da ação, performance arte, moda, música, teatro, cinema, pop, cultura do remix… atualmente eu me comprometo a conhecer com rigor tudo que diz respeito à técnicas as quais tenho acesso para então hackea-las e quem sabe revelar tantos outros fenômenos subjetivos, inúteis e inábeis … 

 

Minha casa é onde estou, e me adaptei ao nomadismo desde antes de eu nascer, logo sou uma criatura transitória, e não somente híbrida. Eu não acredito em territórios na arte, logo, não pertenço a nada (nem a ninguém)... Sou artista porque não posso morrer, e apesar de não ter nenhum privilégio financeiro e tentar seguir junto à várias pessoas mudar essa  sociedade de cultura racista, machista, patriarcal, LGBTFóbica, hétero-cis-normativa…

 

Apesar de ter a tragédia como combustível involuntário, apesar de me preparar para morrer a todo segundo, apesar das vertigens cotidianas, apesar da guerra, apesar da mortalidade - da consciência da nossa finitude… apesar do apesar,  existir e resistir como artista é inevitável, é urgente… é tudo que eu posso fazer agora… 

INÍCIO